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O que sabe um miúdo sobre desemprego?

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Exercício de escolha múltipla

Lê o texto intitulado "O que sabe um miúdo sobre desemprego? (parte II)" e selecciona a(s) hipótese(s) correcta(s).
Parte I: O contexto familiar


O desemprego está onde quer que se esteja – na televisão, nos jornais, à mesa do café ou na sala de jantar. Mas será que o tema chegou aos adolescentes que a partir do nono ano são obrigados a escolher a sua área profissional? Os recém-licenciados são os mais atingidos com o desemprego de longa duração (51%); e o desemprego jovem ronda os 20%. Segundo os psicólogos de orientação vocacional, a grande maioria tem uma atitude sonhadora e está longe de saber o que se passa no mercado de trabalho. A diferença em relação ao pequeno grupo dos que tomam uma decisão esclarecida está na família. “Os filhos de pais com estudos superiores são os que têm uma atitude mais consciente sobre as dificuldades do mercado de trabalho”, explica Paulo de Jesus, professor da Universidade Lusófona do Porto.
Não são muitos os alunos preocupados com o desemprego, mas essa inquietação surge entre alguns jovens, sobretudo nos dois ou três últimos anos, esclarece Eduarda Ferreira, psicóloga de orientação vocacional de uma escola secundária em Setúbal. “São jovens que já conhecem o perfil de várias actividades, seja porque a mãe é médica, o pai é engenheiro ou o tio é advogado. O contexto familiar determina, portanto, a atitude dos miúdos perante o futuro. É sobretudo entre os alunos de classe média alta que o psicólogo diz encontrar os adolescentes que procuram informação sobre as “boas escolas e as boas universidades” ou os cursos com mais saídas profissionais. Até porque os pais que concluíram os estudos universitários tendem a ser mais rigorosos com os seus filhos e a exigir que prossigam os estudos no ensino superior.



Parte II: Fantasia e realismo


A grande maioria dos alunos chega ao fim do ensino básico sem saber o que quer da vida: “O que até é normal, uma vez que a adolescência é uma fase de grande inconstância e imaturidade”, esclarece Eduarda Ferreira. O modo como os adolescentes escolhem as áreas escolares ou até as profissões depende de vários factores, alerta Vasco Soares, que dá consultas de orientação vocacional em Lisboa: “Escolher o que os amigos escolheram, escolher para fugir à matemática, escolher porque um tio disse que se ganha muito dinheiro, escolher porque os pais querem são apenas algumas condicionantes que influenciam as decisões dos alunos.” Entre as “centenas de jovens” que passaram pelo seu consultório há uma tendência: “A fantasia de encontrar uma profissão livre de frustração, em que tudo é um desafio e onde não há tarefas rotineiras.”
É o “idealismo” que caracteriza os primeiros anos da adolescência mas que se torna “preocupante” quando se prolonga até aos 17 ou 18 anos, alerta Paulo de Jesus, psicólogo de orientação vocacional: “Regra geral, as escolhas dos cursos universitários fazem-se sem o conhecimento do mercado de trabalho e as opções são tomadas sem serem tidas em conta as probabilidades de emprego.” Em boa parte dos casos, a recolha de informação sobre as saídas profissionais só acontece nos últimos anos da faculdade. E isso tem uma razão de ser: “O sistema de ensino encontra-se desfasado da realidade até ao momento do estágio profissional.”
E como muitos dos jovens que estudam nas universidades são os primeiros nas suas famílias, não podem contar com a experiência dos pais ou de outros familiares: “E por isso tornam-se alvos fáceis da propaganda das instituições de ensino superior, que todos os anos procuram angariar o máximo de alunos.”

ionline, 22 de Março de 2010 (texto com adaptações e supressões)